Os desafios de Cuiabá para a Copa 2014

23 09 2009

 

Ampliação do aeroporto e captação de recursos para o Verdão são os principais desafios

 Vista Cuiabá

Vista aérea da região central de Cuiabá (crédito: Delfim Martins)

Cuiabá está situada às margens do rio de mesmo nome, na sua margem esquerda, e forma uma conurbação com o município de Várzea Grande. Segundo estimativa realizada em 2008 pelo IBGE, a população das duas cidades ultrapassa os 780 mil habitantes.

Fundada em 1719, a capital mato-grossense ficou praticamente estagnada desde o fim das jazidas de ouro até o início do século XX. A partir daí, apresentou um crescimento populacional acima da média nacional, atingindo seu auge nas décadas de 1970 e 1980.

Um ponto importante para Cuiabá é sua localização. O Mato Grosso tem na conjugação de três biomas (Amazônia, Pantanal e Cerrado) uma grande vitrine, mas o desmatamento dessa área verde tem repercussão negativa em todo o mundo.

 O estádio de Cuiabá
Cuiabá está desenvolvendo o projeto de renovação do Estádio Governador José Fragelli, o Verdão, originalmente construído em 1999. A previsão é de que a obra seja concluída até dezembro de 2012, para a realização da Copa das Confederações, e conte com investimentos da ordem de R$ 350 milhões. Com a reforma, a nova arena terá capacidade para 48 mil torcedores, e uma área com camarotes, tribuna de honra e gabinetes de imprensa.
O plano estadual para a Copa 2014 prevê ainda a implantação de quatro Centros de Treinamento que poderiam receber as seleções escaladas para jogarem em Cuiabá. Os centros seriam instalados nas cidades de Chapada dos Guimarães, Barão de Melgaço, Lago do Manso e Várzea Grande.
Um fator negativo no projeto de Cuiabá é a fragilidade da cena esportiva local, com jogos de pequeno público, o que dificulta a sustentação do novo estádio no pós-Copa. A viabilidade econômica do empreendimento poderia ser fortalecida caso o Verdão se transforme em uma arena multiuso, que também possa acolher shows e outros eventos de grande público. Para isso será necessário incluir Cuiabá na rota dos grandes shows musicais internacionais. O risco é o novo estádio ter o mesmo destino do Ginásio Aecim Tocantins, um investimento de R$ 26 milhões que recebe poucos eventos e fica praticamente fechado às atividades esportivas da comunidade.
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 Estádio multiuso: o projeto prevê que o Verdão receba shows e feiras e que seja aproveitado como centro de convenções
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 Vista aérea do novo complexo, cujo custo inicial é de R$ 430 milhões

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 Projetada pelo GCP Arquitetos, a arena terá assentos para 48 mil torcedores

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Parte das arquibancadas poderão ser desmontadas para que a arena ganhe espaço físico para outros eventos

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 O complexo será construído no mesmo local do atual estádio, no bairro Verdão, e terá restaurantes, hotéis, estacionamentos e lagos

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Os R$ 430 milhões necessários para a construção serão bancados pelo estado de Mato Grosso

A rede hoteleira
Cuiabá e Várzea Grande contam atualmente com 6.710 leitos e um total de 3.271 apartamentos em hotéis cuja classificação vai de econômica a cinco estrelas. O setor hoteleiro da capital está em plena expansão, com uma previsão de 1.400 novos apartamentos nos próximos três anos. Com novas redes chegando e a previsão de ampliação de alguns hotéis, até 2012 a oferta crescerá mais de 60%. O setor hoteleiro da capital cresceu cerca de 20% nos últimos cinco anos, com investimentos de mais de R$ 22 milhões. A projeção de investimento nos próximos três anos é de R$ 103 milhões.

Mobilidade urbana
A capital mato-grossense já possui um dos melhores sistemas de transporte público através de ônibus do país. Hoje, todo ponto de ônibus é um terminal de integração. O transporte público é feito por ônibus coletivo e táxis, além de micro-ônibus e moto-táxi, já regulamentados pela Câmara Municipal. Todos os ônibus são monitorados por satélite através de GPS, além de 89% dos veículos possuírem ar-condicionado e cerca de 67% rampa elevatória para cadeirantes e deficientes físicos.

O maior projeto a ser desenvolvido na cidade para o transporte público é a construção do VLT de Cuiabá e Várzea Grande, inteiramente elevado. Há também a intenção de se criar linhas executivas intermunicipais para os 10 municípios da Futura Região Metropolitana de Cuiabá.

Em certos pontos da cidade, principalmente em sua região histórica, as vias são estreitas e o tráfego chega a ficar congestionado. Para contornar a situação, os governantes já iniciaram a construção de cinco novas vias para o acesso ao estádio.

Em fase de projeto para implantação, e aguardando a decisão da Fifa, estão a duplicaçãonda avenida e canalização do córrego 8 de Abril, eleita a principal ligação entre o Verdão e o centro histórico de Cuiabá; implantação da Avenida Projetada, ligando o aeroporto ao Verdão; aumento das pistas da Avenida Miguel Sutil (Perimetral) e prolongamento da Avenida Dr. Paraná, em Várzea Grande, ligando o Aeroporto ao Centro de Cuiabá e à localidade do Coxipó, pela ponte Sérgio Motta.

Aeroporto Cândido Rondon
O Aeroporto Internacional Marechal Cândido Rondon é o principal aeroporto do Mato Grosso. O complexo não está situado em Cuiabá, mas em Várzea Grande, distante cerca de 8 km do centro da capital mato-grossense. Atualmente, o complexo conta com um terminal de passageiros com dois pisos, praça de alimentação, lojas, juizado de menores, câmbio, terraço panorâmico, correios, locadoras, lanchonetes, elevadores, escadas rolantes e climatização.

Para suportar o aumento de fluxo decorrente da realização do Mundial, já está em licitação a ampliação do terminal de embarque internacional. O projeto inclui ainda um aumento na capacidade de todo o aeroporto.

Em lugar dos atuais 580 mil passageiros que o Marechal Rondon recebe por ano, poderão circular pelo espaço mais de um milhão de viajantes/ano.

Desafios e oportunidades
Cuiabá terá como primeiro e fundamental desafio viabilizar a reforma de seu estádio. Caso não consiga comprovar que o empreendimento dará retorno à iniciativa privada, vai contar apenas com os recursos do governo federal. A cidade já espera a inclusão dos seus projetos no PAC da Mobilidade Urbana (ou PAC da Copa 2014), inclusive para a viabilização do projeto do VLT.

O desenvolvimento do turismo nacional e internacional deverá ser o grande legado do estado, ao sediar o evento de 2014. A Copa no Pantanal será uma oportunidade inédita para mostrar ao mundo uma das maiores planícies de sedimentação do mundo, com aproximadamente 140 mil km2, com ampla diversidade de flora e fauna e uma das maiores extensões úmidas contínuas do planeta.

Um dos pontos críticos para receber o fluxo ampliado de turistas está no seu aeroporto. Conta com grandes áreas para expansão, tendo a Infraero projetado uma nova pista.

Outro desafio importante é balancear o investimento na construção de um estádio padrão Fifa ao retorno com a expansão permanente e sustentada do turismo, uma vez que o futebol mato-grossense não tem, ainda, esse potencial.

Embora o governo estadual tenha recursos e capacidade de endividamento para investir no estádio, essa destinação de recursos pode comprometer a capacidade de contrapartida para os necessários investimentos na infraestrutura.

Outra demanda importante está na mobilidade urbana. Com população próxima a um milhão de pessoas, o aglomerado Cuiabá-Varzea Grande já enfrenta sérios problemas de tráfego para os quais o estado já apresentou os seus projetos para serem considerados no PAC da Mobilidade Urbana, também caracterizado como PAC da Copa.

O Mato Grosso tem como um dos principais desafios, enfatizar as suas vitrines e superar as vidraças, o que já vem fazendo. Mas tem um prazo curto para reverter as imagens negativas.

Evento do Sinaenco em Cuiabá
Cuiabá reuniu mais de 3 mil pessoas no seminário “Copa 2014 – Desafios e Oportunidades”, que contou com a parceria do Sinaenco, presente nas discussões sobre os aspectos da infraestrutura que deverão ser foco de atenção até o Mundial. O evento foi realizado no dia 19 de maio de 2009, no Centro de Eventos do Pantanal.

 Fonte: http://www.copa2014.org.br

 

 

 

 

 





8ª Bienal Internacional de Arquitetura

23 09 2009

De 31/10/2009 a 06/12/2009

 
 

8 BIENAL

O tema proposto pelo Departamento de São Paulo do Instituto e aprovado pelo COBIA – Conselho da BIA – Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo em sua oitava edição, foca a qualificação de áreas degradadas em centros urbanos a partir de megaeventos e usa a Copa de 2014 como pano de fundo.

A 8ª BIA acontecerá de 31 de outubro a 6 de dezembro de 2009 no Pavilhão da Bienal, no Parque Ibirapuera. A temática, ECOS URBANOS, é uma alusão direta à proposta desta edição sobre o potencial para grandes transformações dos centros urbanos e metropolitanos que sediam eventos de porte internacional. Na palavra ECOS, a sigla de Espacialidade, Conectividade, Originalidade e Sustentabilidade – os quatro eixos que norteiam o conceito dessas mudanças, como explica seu curador geral, o arquiteto Bruno Roberto Padovano. Ele conta com o apoio de mais de vinte curadores para ações específicas.

Bons exemplos são as cidades que já receberam EXPOS Universais, Olimpíadas ou Copas do Mundo de futebol. De olho no certame de 2014, uma das propostas da 8ª BIA é justamente discutir os estádios e as melhorias urbanísticas que as cidades-sede oferecem ou pretendem edificar até lá. “Esses megaeventos possibilitam que os governos, em suas três esferas, e com parceria da iniciativa privada, implementem processos de qualificação urbana e regional, tanto nos aspectos ambientais quanto sociais, econômicos, culturais e espaciais”, pondera Padovano.

Bons exemplos não faltam. Outras cidades, como Barcelona, Lisboa e Milão, reúnem um conjunto rico de experiências arquitetônicas e urbanísticas a partir do instante em que receberam ou recebem grandes eventos internacionais. A escolha do Brasil como sede da Copa de 2014 suscita um debate muito mais amplo que o esportivo: a reboque, chegam ao cidadão outras importantes benfeitorias, do planejamento urbano até a arquitetura de novos edifícios, iluminação, mobiliário urbano, interiores e paisagismo de espaços públicos e semi-públicos, construção de uma nova infraestrutura urbana e metropolitana e soluções, enfim, que se baseiem nas inovações espaciais, na conectividade e na originalidade, com o objetivo de propor um futuro sustentável para a população local.

OBJETIVOS
Um dos principais objetivos da 8ª BIA é democratizar-se, tornar-se próxima do cidadão, da sua realidade, mostrando a ele o quanto a arquitetura e o urbanismo interferem no seu cotidiano. Além de estudar valores mais acessíveis para o ingresso, os organizadores pretendem derrubar o mito de que o evento é elitista. “Vamos convidar toda a imprensa a discutir um evento que não é só para arquitetos. É para todos”, conclama a presidente do IAB-SP, arquiteta Rosana Ferrari.

Não faltarão atrativos para as visitas e participação do público. Além do conteúdo coletivo – a produção intelectual, artística e técnica dos arquitetos urbanistas em busca de um futuro sustentável para as cidades e o planeta -, a 8ª BIA irá ofertar espaço de produção para mostrar o que esses profissionais propõem, sempre dentro de uma cultura de sustentabilidade.
Não há limite para o número de trabalhos inscritos, ou qualquer restrição quanto ao número de autores. É prática da BIA reunir, em um grupo, a chamada produção nacional, e em outro, a internacional. Para este ano, a universalidade da arquitetura e do urbanismo estará presente, estando previstas premiações nas duas modalidades: obra e projeto.

 

 

 

 








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